A resposta centrada no cliente*

Rodrigo Rezende

Existe uma forma particular e preferencial de resposta aos clientes oferecida pelos psicoterapeutas centrados no cliente. Essa forma preferencial de resposta ao que os clientes expressam, ou mesmo para quando ficam em silêncio, que é também uma forma de expressão, pode ser considerada característica dos psicoterapeutas centrados na pessoa. Esse tipo de resposta consiste em tentar comunicar aos clientes a melhor compreensão que fazem da compreensão que os próprios clientes têm sobre suas questões até então. Sendo assim, para esses psicoterapeutas não existe resposta melhor do que demonstrar aos seus clientes que compreendem com nitidez o que eles já entendiam por eles mesmos. Para tanto, esses profissionais se esforçam para ser o mais claro e preciso nesse sentido, ou seja, buscam perceber e expressar muito bem a compreensão que os clientes estão fazendo naquele momento de sua situação. Esse tipo de resposta é preferencial porque os psicoterapeutas dessa abordagem entendem que será assim que poderão melhor contribuir para o progresso de seus clientes, devido a diversos fatores como veremos a seguir.

Os fatores que favorecem aos clientes a partir dessa forma de resposta são vários. Entre esses é possível citar: os clientes entendem que estão sendo bem compreendidos e assim eles focam ainda mais nos seus próprios referenciais, sem a necessidade de defendê-los em relação a referenciais externos, e isso promove liberdade para autocríticas e para avanços; esse tipo de resposta esclarece aos clientes que os referenciais considerados nas questões levantadas são os deles mesmos e assim se sentem mais seguros e no controle; facilita a produção de movimentos experienciais nos clientes; contribui para que os clientes atentem para os significados mais verdadeiros dos sentimentos, na medida em que o psicoterapeuta não distorce com julgamentos os significados produzidos pelo cliente; possibilita o acesso a conteúdos dificilmente admitidos devido a julgamentos negativos recebidos anteriormente; na medida em que facilita aos clientes falar mais livremente de sentimentos que não eram bem percebidos, estes são experienciados e melhor compreendidos e aceitos; essa forma de responder ao cliente identifica claramente quem diz (cliente ou psicoterapeuta) e o que diz, e assim fica bem distinguido de quem são as impressões dos sentimentos expressos, evitando distorções na atribuição de autorias; esse modo de responder contribui para que sentimentos desorganizados e com percepção distorcida sejam mais bem reconhecidos e, então, vivencialmente suportados.

Desse modo, a resposta preferencial ao cliente na formulação da terapia centrada na pessoa é aquela em que o terapeuta se esforça para sentir, de forma mais precisa possível, o significado sentido da expressão de seu cliente e comunicar-lhe como se deu essa compreensão, de forma mais clara possível. Trata-se de processo interativo, de comunicação entre psicoterapeuta e cliente, que indica de forma clara a intenção e a capacidade de compreensão do cliente pelo psicoterapeuta e a responsabilidade deste, de forma respeitosa, de não interferir com pontos de vista, opiniões ou avaliações nas concepções até então desenvolvidas pelo cliente. Essa forma de responder dá maior abertura e espaço para o cliente tomar posição própria e clara e, sem defesas, vivenciar suas questões e dramas, sentindo-os mais plenamente e, a partir de então, evoluir. Assim, o cliente, ao perceber mais claramente o que sente, poderá encontrar melhor significado para tanto, ganhar confiança pelo autoconhecimento alcançado e se fortalecer para os enfretamentos necessários.

* Este texto é uma releitura dos parágrafos com a mesma titulação (A Resposta Centrada no Cliente) do artigo: “Procedimentos Terapêuticos no Contato com Esquizofrênicos” por Eugene T Gendlin.