Carl Rogers

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(Texto de Marcos Alberto da Silva Pinto)

Carl Ransom Rogers nasceu no dia 8 de janeiro de 1.902 em Oak Park, Chicago, Estados Unidos, numa família cristã cuja religiosidade era rigorosamente fundamentalista. Sua infância foi limitada pela crença e atitude de seus pais, e pela solidão, durante este período até o final da adolescência, segundo ele mesmo, não havia em sua vida relacionamento que hoje ele definiria como saudável.

No colegial tornou-se um excelente aluno, com ávidos interesses científicos. Estudou na Universidade de Wisconsin, tendo lá as suas primeiras experiências de relacionamento significativas e recompensadoras, contudo, ainda norteadas com muitas regras.

Em seu segundo ano de faculdade começou a aprofundar-se em assuntos religiosos.

Durante o curso de pós graduação, embora já cada vez mais distante dos cursos acadêmicos de religião, passou por algumas experiências que o ajudaram a modelar a sua maneira de se relacionar com os outros, e a perceber que trabalhar com as pessoas poderia se tornar sua profissão.

Como psicólogo, trabalhou primeiramente com crianças em Rochester, Nova York, num centro de orientação infantil, onde permaneceu por doze anos, os quais os ajudaram a compreender formal e diretamente para o que ele iria denominar mais tarde de Abordagem Centrada na Pessoa, que foi aprimorada através de suas experiências de magistério na Universidade de Ohio e depois como diretor de um novo centro de aconselhamento baseado em suas idéias na Universidade de Chicago onde publicou Terapia Centrada no Cliente (1951), que continha sua primeira teoria formal sobre a terapia, sua teoria da personalidade e algumas pesquisas que reforçavam sua conclusão.

Foi um dos pioneiros nos movimentos de grupo de encontro, um dos fundadores da Psicologia Humanista, e o primeiro psicólogo a dirigir um departamento de psiquiatria em uma grande universidade (Universidade de Wisconsin).

“Sinto pouca simpatia pela idéia bastante generalizada de que o homem é fundamentalmente irracional e que seus impulsos, quando não controlados, levam a destruição de si e dos outros. O comportamento humano é extremamente racional… A tragédia para muitos de nós deriva do fato de as nossas defesas nos impedirem de surpreender essa racionalidade, de modo que estamos conscientemente a caminhar em uma direção, quando organicamente seguimos outra.” (Rogers, 1969)

Sua proposta de aconselhamento transformou-se numa prática de psicoterapia; esta por sua vez, veio a se tornar uma teoria de psicoterapia e personalidade. A teoria forneceu as hipóteses que abriram todo um novo campo de pesquisa. Daí desenvolveu-se uma abordagem para todas as relações interpessoais. Alcançou a educação, como forma de facilitar a aprendizagem em todos os níveis.

Carl Rogers ajudou a criar o Centro de Estudos de Educação da Pessoa, uma livre associação de pessoas em profissões de ajuda.

A Abordagem Centrada na Pessoa desenvolveu-se essencialmente a partir das suas próprias experiências clínicas, e mais tarde descobriu paralelos ao seu trabalho em fontes orientais, no Zen Budismo e nos trabalhos de Lao Tsé.

Foi duas vezes eleito presidente da Associação Americana de Psicologia, e recebeu desta mesma associação os prêmios de melhor contribuição científica e o de melhor profissional.

Visitou o Brasil em 1977, 78 e 85 realizando grupos de encontro, conferências e entrevistas.

Em 1979, perdeu a sua companheira Helen após união de 55 anos.

Rogers morreu em 5 de fevereiro de 1987, mesmo ano em que é indicado ao Prêmio Nobel da Paz, aos 85 anos de idade, ainda ativo, escrevendo, realizando conferências e cuidando de seu jardim, ao lado de colegas mais jovens, filhos e netos.

Texto de Marcos Alberto da Silva Pinto  – CRP 06/33896-4

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

  • Belém, Diana (2000). Carl Rogers: Do Diagnóstico à ACP. Recife: Bagaço.
  • Fadiman, James & Frager, Robert (1986). Teorias da Personalidade. São Paulo: Harbra.
  • Holanda, Adriano F. (1998). Diálogos e Psicoterapia: Correlação Entre Carl Rogers e Martin Buber. São Paulo: Lemos Ed.