A história da Abordagem centrada na Pessoa no Brasil.

Marcia Alves Tassinari

* Trabalho apresentado no VII Encontro Latino Americano da Abordagem Centrada na Pessoa em Maragogi/AL em 1994.

O presente capítulo é uma versão resumida do trabalho que vem sendo desenvolvido desde 1992, coordenado por Márcia Tassinari e colaboradores, dentre eles Yeda Portela. No sentido de atender aos objetivos deste livro, suprimimos alguns anexos, referentes a eventos vivenciais e profissionais,  a trabalhos dos Encontros Latino – Americanos, aos Fóruns Brasileiro e Internacional e às monografias, que poderão ser oportunamente enviados aos interessados que solicitarem às autoras.

A pesquisa foi realizada a partir dos depoimentos de profissionais envolvidos há muito tempo com a Abordagem Centrada na Pessoa (ACP) e apresenta informações sobre as associações de profissionais, aqui denominadas de núcleos, os eventos profissionais e vivenciais, o material publicado e os cursos de formação, material que compilamos ao longo dos últimos cinco anos. Nosso objetivo geral era descobrir um fio condutor na massa inicialmente amorfa, que alimentasse as reflexões e apontasse os caminhos que este percurso de 50 anos de prática e teorização da Abordagem Centrada na Pessoa vem delineando. A partir destas reflexões pudemos distinguir quatro momentos:

De 1945 a 1976: Pré – História – Caracteriza-se pela inexpressiva quantidade de eventos e publicações e também pela presença de profissionais trabalhando de forma isolada principalmente nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Pernambuco.

De 1977 a 1986: Fertilização – Seu marco se dá com a vinda de Carl Ramson Rogers e sua equipe (John Keith Wood, Maureen Miller, Maria Constança Villas-Boas Bowen e Jack Bowen) ao Brasil em 1977. Observa-se neste período o entrosamento dos profissionais interessados por esta Abordagem, a organização de vários eventos assim como a criação de núcleos de profissionais. Com a vinda de Rogers e a realização dos primeiro e segundo workshops de grande grupo (Arcozelo – 1977 e 1978), toda a comunidade brasileira teve oportunidade de participar e promover eventos que estimularam o pensamento sistematizado sobre a ACP.

De 1987 a 1989: Declínio – Caracteriza-se por um período de luto com o falecimento de Carl Rogers (EUA, janeiro de 1987) e Rachel Rosenberg (São Paulo, junho de 1987) e, assim como a saída de precursores expressivos (Teresa Dourado, de Recife e Tereza Cristina Carreteiro, do Rio de Janeiro) ou mesmo do meio acadêmico (Lúcio Campos, de Recife). Nota-se  principalmente a região sudeste muito abalada por estas perdas, fato evidenciado por poucas realizações de eventos vivenciais e pela extinção de alguns núcleos. Ocorre também uma diminuição significativa na publicação de artigos, livros e teses.  Neste período já se observa uma leve ascensão das atividades através da formação de núcleos em estados até então pouco ativos, como Ceará, Paraíba e Alagoas.

Parece que a comunidade centrada necessitou de tempo para superar estas perdas e encontrar sua própria energia para fortalecer  seu trabalho. Entendemos que a influência da popularidade de outras orientações terapêuticas (Psicanálises e Terapias Corporais) no meio acadêmico pode ter contribuído também para este declínio.

De 90 em diante: Ascensão/Renascimento – Caracteriza-se por um aumento significativo de formação de núcleos (seis até a presente data), muitos destes  formados por ex-alunos dos profissionais da fase da Fertilização; aumento de oferta de eventos vivenciais, de eventos profissionais (mais do que em todas as décadas anteriores),  da produção escrita como os  trabalhos apresentados nos eventos, de  artigos publicados, ainda que poucos livros escritos e editados no Brasil e somente 3 boletins veiculados nessa fase.

Desde o início da década de 90, observa-se o quanto o nordeste desenvolveu e divulgou a Abordagem Centrada na Pessoa, estimulando estados da Paraíba e Rio Grande do Norte, além daqueles já citados, bem como influenciando outras regiões do país. A partir do Fórum Brasileiro (1996), a comunidade  incentivou os profissionais da região Sul, indicando o Rio Grande do Sul como a sede do Segundo Fórum Brasileiro (Canela, outubro de 1997), O próximo Fórum está previsto para 1998 em Minas Gerais. Até a presente data, observa-se pouca representatividade das regiões norte e central.

Para melhor compreensão, as autoras apresentam o material em três partes: núcleos e boletins; eventos e material publicado. Como  conclusão, sugerem alguns temas para reflexão.

I. NÚCLEOS E BOLETINS DA ABORDAGEM CENTRADA NA PESSOA:

Reunimos informações sobre 23 núcleos da ACP, criados desde 1970. São formados por grupos de profissionais interessados no aprofundamento, divulgação e aplicações da Abordagem. A maioria deles foi instituída com caráter de associação sem finalidade lucrativa ou se constituindo como agrupamento informal. Outros núcleos formalizaram suas atividades através da constituição de uma sociedade civil. Alguns criaram seus próprios boletins informativos com publicações de artigos, depoimentos, entrevistas e agenda de eventos

Vale ressaltar que dos 23 núcleos originais, 12 continuam atuantes e dos 9 boletins produzidos, somente três estão sendo veiculados. A média de duração dos núcleos extintos foi de aproximadamente 6 anos, e a dos boletins, de 2,5 anos.

Os núcleos foram surgindo de forma gradativa. Em um primeiro momento foram relacionados oito núcleos na década de 70, quantidade que provavelmente aumentou devido à influência da vinda de Carl Rogers e sua equipe ao Brasil, quando os profissionais puderam trocar suas experiências e estabelecer maior entrosamento entre si. Entretanto, a maioria destes núcleos se extinguiu rapidamente, encerrando seus trabalhos.

Parece ter havido um enfraquecimento dos esforços no sentido de promover o desenvolvimento da Abordagem. Em contraste, o Centro de Psicologia na Pessoa (RJ), fundado em 1975, destaca-se por se manter ativo até os dias atuais, oferecendo cursos de formação de psicoterapeutas, atendimento psicoterápico particular e pela clínica social, organização de eventos nacionais e internacionais, simpósios, palestras, entre outras atividades.

No final da década de 80, surgem outros cinco núcleos em vários pontos do país, a maioria deles editando seus boletins, destacando-se o Núcleo Paulista da Abordagem Centrada na Pessoa, que organizou e incentivou vários eventos, também publicando ao longo de cinco anos, o Boletim do Núcleo Paulista, de ampla circulação.

A década de 90 marca um outro momento em que se observa a retomada dos trabalhos da Abordagem Centrada na Pessoa. Há interesse em resgatar os seus princípios e valores, cada  vez mais necessários na sociedade, fato este que se reflete no surgimento de 10 núcleos, que vêm, aos poucos buscando estruturar o seu espaço para atuar no sentido de enriquecer e disseminar a Abordagem.

II. EVENTOS:

Até a vinda de Carl Rogers e sua equipe pela primeira vez ao Brasil em 1977, pouco se conhecia sobre a prática da Abordagem. Já existiam alguns núcleos formais e informais em Recife, São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro, que realizavam suas atividades de maneira isolada.

Não podemos deixar de mencionar a presença de Eduardo Bandeira em diversas cidades brasileiras no período que antecedeu a vinda de Rogers ao Brasil.  Desde 1974, Bandeira, após ter visitado o Center for Studies of the Person (La Jolla, USA), passou a divulgar filmes que exibiam entrevistas de demonstração de psicoterapia realizadas por Rogers, os quais foram legendados em Português e apresentados em universidades e clínicas de Psicologia. As autoras acreditam que essa iniciativa preparou o terreno para difusão da Abordagem e para que o trabalho de Rogers pudesse ser bem acolhido no Brasil.

J. Wood e M. Miller realizaram atividades de treinamento e de workshops em diversas cidades brasileiras, de 1977 a 1984,  “reciclando o conhecimento” da comunidade nacional,  influenciando-a.

Os eventos foram separados em duas categorias: Vivenciais e Profissionais, considerando seus respectivos objetivos iniciais. Os eventos classificados como vivenciais têm o objetivo de oferecer uma oportunidade de crescimento pessoal ao público em geral. Por outro lado, os eventos ditos profissionais se propõem  congregar profissionais que utilizam o referencial  da Abordagem Centrada no Cliente/Pessoa nas suas práticas, visando a troca de experiências e o avanço teórico.

Embora normalmente seja feita esta distinção os eventos profissionais da Abordagem têm contemplado, na sua maioria, tanto as dimensões cognitivas quanto experienciais, independentemente de seus objetivos iniciais.

II.1. Eventos Vivenciais:

A relação dos eventos inicia-se em 1977, quando foi realizado o I Encontro Brasileiro Centrado na Pessoa (Arcozelo I), por iniciativa de Eduardo Bandeira. Este evento contou com a participação de mais de 200 pessoas de todo Brasil, além de uma equipe de facilitadores brasileiros (30), que juntamente com Rogers, Wood, Maria e Jack Bowen e Miller, compuseram o “staff” do primeiro grande grupo brasileiro.  O segundo workshop de grande grupo foi realizado no ano seguinte, criando mais uma oportunidade de atualização tendo contado novamente com a presença de Rogers e parte de sua equipe. Durante este workshop realizou-se um documentário, cujo título é: “E tudo é muito importante”, dirigido por Joaquim Assis, cuja cópia encontra-se na Embrafilme e está sendo editada em sistema VHS, para ser apresentado no Encontro do Sudeste, em junho próximo.

Desde 1975, o Centro de Psicologia da Pessoa (CPP) oferece, pelo menos, dois grupos de encontro por ano dirigidos tanto a seus alunos do curso de formação quanto ao público em geral.

Em São Paulo, destacamos a iniciativa de Rachel Rosenberg, que contando com colaboradores, coordenou e realizou a maioria das atividades nesse estado, promovendo workshops de pequenos e grandes grupos, destacando-se os de Pirassununga I e II, Vinhedo, Salesópolis e o I Workshop de Família, congregando também o grupo de Psicologia Humanística.

A morte de Rachel Rosenberg veio abalar não só emocional quanto profissionalmente o percurso da Abordagem no Brasil, especialmente em São Paulo, onde ela orquestrava com sabedoria e dedicação a maioria dos eventos e sua presença brilhava, aglutinando em torno de si colegas e amigos.

De 1988 a 1992, uma equipe inter-estadual realizou oito workshops residenciais de grandes grupos, o que mobilizou muitos profissionais e estudantes de Psicologia, Pedagogia, principalmente. Infelizmente, as informações desses trabalhos não foram sistematicamente organizadas pela própria equipe e a tentativa de se realizar pesquisas e estudos de follow-up não puderam ser concluídas, devido à falta de feedback da maioria dos participantes e à distancia geográfica da equipe facilitadora.

A década de 80 parece ter sido a mais fértil com vivências acontecendo em vários estados do Brasil.  Esse fato contrasta com o declínio da produção teórica (artigos, teses, etc.) e a extinção de diversos núcleos neste mesmo período.

Os eventos vivenciais de grande grupo têm sido realizados como uma das atividades dos eventos profissionais (tipo Encontro Latino-Americano, Encontro Nordestino, Fórum Brasileiro). Por outro lado, no período de Ascensão, diversos workshops de pequeno grupo (8 a 30 participantes) têm sido viabilizados em diversas partes do país, destacando-se as regiões nordeste, sul e sudeste. Assim, seria razoável afirmar que os eventos vivenciais “clássicos”, tipos grupos de encontro têm preenchido mais as necessidades dos profissionais “centrados” do que as da comunidade em geral. Pode-se supor que esse pequeno interesse  seja reflexo  das expectativas da sociedade pós – moderna, voltada mais para vivências de impacto, de efeitos mágicos imediatos. Da mesma forma, acredita-se que os grupos de encontro estão mais voltados para a necessidade de formação do profissional que atua na Abordagem, já que são um terreno fértil para maturação emocional/profissional.

II.2. Eventos Profissionais:

Em relação aos eventos públicos específicos da ACP no Brasil, foi constatado que a maior parte deles ocorreu após a realização do Primeiro Encontro Latino-Americano, em 1983.

Anteriormente, realizavam-se jornadas esporádicas em São Paulo e eventos vivenciais, como workshops abertos ao público em geral, sem o objetivo específico de troca de experiências profissionais.

Os Encontros Latino-Americanos têm grande representatividade na história da Abordagem  no Brasil, contando com a presença significativa da comunidade brasileira, quando profissionais discutem seus trabalhos, refletem sobre suas experiências, fortalecendo e criando, cada vez mais, novas possibilidades de aplicação e expansão. Já foram realizados até o ano de 1998, oito encontros, três desses sediados no Brasil. Cabe aqui ressaltar o levantamento realizado por Tassinari e Doxsey (1987) sobre o material escrito e apresentado nesses Encontros, onde os autores classificaram, segundo os temas abordados, todos os trabalhos (do 1º ao 6º Encontro) e desenvolveram reflexões acerca da produtividade teórica na América Latina.

A década de 80 ofereceu vários eventos regionais quando se percebe um amadurecimento dos grupos envolvidos com a Abordagem.  Assim, encontramos nesta década a realização de três Encontros Latinos, dois Cursos Avançados, duas Vivências Acadêmicas, seis Jornadas de Psicologia Humanista, três Encontros Nordestinos e três participações nas Reuniões Anuais de Psicologia de Ribeirão Preto, além do Fórum Internacional.

Esses eventos têm prosseguido na década de 90, demonstrando potencialidade dos mesmos como geradores de maior entrosamento dos profissionais e sedimentação dos conhecimentos e práticas. (dois Encontros Latino Americanos, duas Jornadas de Psicologia Humanista, três Encontros Nordestinos, dois Fóruns Brasileiros e um Simpósio Existência e Pessoa, além de pequenos eventos regionais).

II.3. Cursos:

No contexto acadêmico, a penetração da Abordagem no Brasil está se expandindo, ainda que, quando  comparada com outras orientações psicológicas, seu espaço seja muito reduzido.

São Paulo teria sido o primeiro estado a introduzir cursos e práticas na ACPP, na Universidade de São Paulo (USP), sob a coordenação de Oswaldo de Barros Santos, que posteriormente com sua ex-aluna Rachel Rosenberg, criou o Serviço de Aconselhamento Psicológico na USP, desde 1963. Outros profissionais continuam esse Serviço de Aconselhamento, propiciando oportunidade de treinamento e prática aos estudantes de Graduação e Pós-Graduação.

Após a vinda de Carl Rogers ao Brasil, em 1977, Rachel Rosenberg e colegas fundaram no Instituto Sedes Sapientaie o Centro de Desenvolvimento da Pessoa que, até o ano de 1987, promoveu uma série de eventos, workshops de grande grupos, supervisão e grupos de estudos, incentivando principalmente, os profissionais desse estado a difundir a ACP. Foi também iniciativa deste Centro a instalação do Plantão Psicológico aberto à comunidade no Instituto Sedes Sapientiae, coordenado por Raquel Wrona Rosenthal, constituído como curso e Serviço de atendimento gratuito, onde os alunos atuavam sob supervisão, como plantonistas.

Em 1992, a necessidade de um programa de formação mais estruturado e que pudesse oferecer prática supervisionada aos alunos recém-formados, levou à implantação, em São Paulo, no mesmo Instituto,  o Primeiro Curso de Especialização de Psicoterapeutas na Abordagem Centrada na Pessoa, através da conjugação do trabalho de Raquel Rosenthal e Sebaldo Bartz,, contando com a participação de vários outros profissionais daquele estado.

Também foi encontrado em outras cidades do Estado de São Paulo trabalhos significativos a nível de formação e pós-graduação em instituições universitárias, tais como: na Universidade de São Paulo-Ribeirão Preto, na Pontifícia Universidade Católica em Campinas, Faculdade São Marcos e na Universidade de Franca.

No Rio de Janeiro, a Universidade Santa Úrsula ofereceu, de 1987 a 1995 uma disciplina específica e eletiva sobre a Teoria de Rogers. Oferece também estágio supervisionado na Abordagem aos seus alunos de Graduação. Também a Universidade Gama Filho,  ofereceu em 2 momentos, cursos de Especialização em Psicoterapia Centrada na Pessoa, nos anos de 1987 e 1990.

No Rio Grande do Sul, a Abordagem tem encontrado espaço dentro e fora da universidades. Os profissionais que fundaram o Centro de Estudos da Pessoa em Porto Alegre e funcionaram na década de 70 como instituição particular, voltaram-se mais para a formação acadêmica, inaugurando o Curso de Especialização em Psicologia Humanista, com duas opções: Rogers e Victor Frankl, na PUC.  Desde 1996, a PUC-RS abriu um  curso de Mestrado em Psicologia Social e da Personalidade, oferecendo Psicologia Humanista, com uma das possibilidades.  Em Canoas, a Faculdade La Salle também está oferecendo um curso de Especialização em Psico – Educação/Reeducação Clínica na Abordagem Centrada na Pessoa, coordenado por Irmão Henrique Justo.

Na Universidade Federal do Pará, Francisco Bordin, ofereceu em 1988 um curso de Especialização na Abordagem, tendo contado com a participação de uma equipe interestadual de docentes.  No nível da graduação, os alunos também têm oportunidade de fazer estágio com a orientação teórica da Terapia Centrada no Cliente/Pessoa, além de poderem participar de cursos de Formação coordenado por Bordin em consultório.

No Nordeste, na década de 60, quando as faculdades de Psicologia de Recife ofereciam disciplinas obrigatórias na graduação, relacionadas à Abordagem, vários cursos de formação de terapeutas foram realizados, todos por iniciativa de Lúcio Campos, Maria Auxiliadora Moura e Maria Ayres. As atividades de supervisão e estudo  teórico foram levadas a outras cidades nordestinas, que ainda não tinham o curso de Psicologia e formou-se um núcleo considerável de profissionais praticando a Abordagem.

No final da década de 80, observamos o “renascimento” da Abordagem no Nordeste, através da conjugação dos esforços de Carmem Barreto, Iaraci Advíncula, Carolina Dubeux e de Afonso Lisboa da Fonseca, oferecendo cursos de formação de psicoterapeutas e estágio supervisionado nas faculdades de Recife e em seus consultórios particulares. Em 1994, foi implantado o Primeiro Curso de Especialização em Psicologia Existencial-Fenomenológica Centrada na Pessoa, na UNICAP/Recife, sendo esse o primeiro curso acadêmico da ACP no nordeste. Essa iniciativa de Carmem Barreto, docente de Graduação da UNICAP e coordenadora do Programa, tem possibilitado que outros profissionais do nordeste possam colaborar com seus conhecimentos e práticas, permitindo uma reciclagem. Esse curso também conta com a colaboração de profissionais de outros estados.  Algumas instituições por todo o Brasil têm merecido destaque por seu empenho em divulgar a Abordagem contando ainda com cursos de formação, dentre elas destacam-se: O Centro de Psicologia da Pessoa (CPP/RJ), vem oferecendo cursos de Formação, desde 1976, para terapeutas individuais (de crianças, adolescentes e de adultos) e para a facilitação de grupos, quer a nível de psicoterapia de grupo  ou de grupos vivenciais.  O CPP tem funcionado também como uma instituição divulgadora da Abordagem, especialmente após a criação de sua Biblioteca, que contém um acervo significativo de todos os trabalhos apresentados nos Fóruns Internacionais, Encontros Latino-Americanos, Jornadas de Psicologia Humanista e Encontros Nordestinos, além de diversas teses de Mestrado e de Doutorado e Monografias de diversas partes do Brasil. Em Petrópolis – RJ, o CEPEP, funcionou por quase 15 anos, realizando cursos de formação e, desde o encerramento enquanto instituição, seus sócios-fundadores continuam praticando e divulgando a Abordagem, individualmente. Outras instituições mais recentes também têm realizado este trabalho de formação de psicoterapeutas, tais como: o Centro de Psicologia Humanista de Niterói – RJ, Espaço – Vida – RJ, DELPHOS-RS, assim como alguns profissionais,  de forma isolada,  por todo o país.

II.4.  Monografias:

Nesta Pesquisa foram cadastradas 66 monografias, que foram escritas  em cumprimento ao término do Curso de Formação de Terapeutas na ACP em instituições do Rio de Janeiro (Centro de Psicologia da Pessoa e Universidade Gama Filho). Verifica-se, no entanto, que ainda não foram obtidas informações de monografias escritas em outras localidades.

Em relação aos temas, foi verificado maior ênfase nas reflexões teóricas. Referindo-se aos demais assuntos abordados, a prática psicoterapêutica foi relevante. A psicoterapia infantil obteve 47%, demonstrando um considerável interesse sobre este tema; restando à prática com adolescentes e idosos  uma porcentagem mínima de 8%.  Acredita-se que esta escolha esteja relacionada com a exigência dos términos de cursos de formação, nos quais os autores estavam mobilizados mais para o estudo reflexivo sobre a teoria da psicoterapia, do que para atividades profissionais em instituições.

Isso talvez seja reflexo dos próprios cursos de formação de terapeutas, cuja prática volta-se mais para o atendimento individual de adultos

Verifica-se que das 66 monografias cadastradas, 66% foram escritas na década de 80 e, somente nos primeiros anos da década de 90 foram cadastradas 22 monografias, ou seja, 33% do total.  Conclui-se que a década atual aponta a maior produção de material escrito no Brasil.  Este dado coincide com o crescimento do número de instituições de formação de psicoterapeutas no estado do Rio de Janeiro.  Em decorrência deste fato, observa-se um aumento significativo no meio científico e a abertura para a perspectiva existencial-fenomenológica-humanista.

III. MATERIAL PUBLICADO

III.1. Artigos Publicados em Revistas e Jornais Nacionais:

Foram relacionados 82 artigos que foram publicados em revistas especializadas de Psicologia e Pedagogia, assim como em jornais de grande circulação, destacando-se a produção da autora Virgínia Moreira, com 14 publicações e o Jornal Estado de Minas com oito, seguido da Revista dos Arquivos Brasileiros de Psicologia, com nove publicações.

Apesar do volume de publicações em revistas especializadas ser pequeno , quando comparado a outras orientações teóricas, percebe-se um aumento gradativo de artigos publicados a partir de 1980, sendo que os primeiros surgiram já na década de 60. Este dado se reflete na década de 90, indicando um interesse crescente de sistematização e divulgação do que se tem feito na Abordagem nos últimos anos.

Em relação aos temas desses artigos, da mesma forma que das teses e monografias, constatamos uma preponderância sobre a prática psicoterápica, seguida pelo Ensino Centrado, supervisão e treinamento de terapeutas.  Somente dois artigos relacionam trabalhos corporais.

III.2. Teses de Mestrado e Doutorado:

A produção acadêmica formal foi aqui considerada a partir da relação das Teses de Mestrado, Doutorado e Livre Docência.

Foi relacionado um total de 29 teses realizadas predominantemente nos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo. Este dado parece refletir a própria oferta de Cursos de Pós-Graduação na região sudeste. A produção por décadas não revelou nenhuma predominância, levando-se em conta que no período 90-94, seis teses já foram defendidas e a década de 90 ainda está incompleta.

Interessante notar que as teses de Mestrado surgem mais nas décadas de 70 e 80, aparecendo um aumento significativo no período 90-94 das teses de Doutorado (2 de Mestrado e 4 de Doutorado), enquanto que nas décadas de 70, a relação Mestrado/Doutorado foi de 6/3 e na de 80 foi de 7/6. Tal fato indica que alguns profissionais envolvidos com a Abordagem, continuam aprofundando suas reflexões e práticas, apresentando suas conclusões em níveis mais avançados.

Em relação aos temas, percebe-se uma nítida concentração na área da psicoterapia individual (17 teses), quer em relação ao terapeuta, às condições facilitadoras, à relação terapeuta-cliente, à comparação com outras orientações teóricas (Freud e Labov), aos métodos e aos instrumentos expressivos. Em segundo lugar, a preferência temática concentra-se na área da Educação (4 teses), correlacionando-a com permissividade, criatividade, personalidade e comparando a proposta do Ensino Centrado no Aluno com a Educação de Adultos de Paulo Freire. A temática de Grupos só ocupa o espaço de duas teses, ambas sobre os grupos de encontro. Outros temas isolados, como afetividade, personalidade, limites da Abordagem Centrada na Pessoa, auto-revelação, supervisão e comparação com a filosofia de Buber, ocupam as reflexões dos outros autores.

Nesta relação foi observado que a aplicação da Abordagem na psicoterapia tem atraído a maioria dos profissionais envolvidos e a questão do ensino, dos trabalhos com pequenos e grandes grupos, ainda que realizados, são pouco divulgados e/ou sistematizados. Foi sentida a falta de pesquisas, que pudessem fundamentar melhor nossas práticas. Esse aspecto reflete também o pouco relevo que os brasileiros dão às pesquisas.

III.3. Livros  Brasileiros:

Ao ser relacionado os 24 livros em língua portuguesa, escritos por autores brasileiros ou estrangeiros, foi excluído para análise, as traduções dos livros de Rogers e outros autores, visto o interesse, nesse momento, na produção nacional, de autores que publicaram a partir de suas experiências e reflexões no Brasil. Entretanto, no intuito de complementar as referências, foram relacionados a lista dos livros de Rogers.

Com referência à produção por décadas, foi encontrado um maior volume de livros entre 80 e 89 (14), seguido da década de 70, com sete livros e somente dois livros desde 1993, sendo que o último foi publicado em 1994 e refere-se a seis artigos originais de Rogers, denominados “artigos seminais”, acompanhados por uma análise crítica de John Wood e seus colaboradores brasileiros (Grupo de Jaguaríuna).

Interessante notar que 15 dos 24 livros foram publicados no Sudeste do país, especialmente em São Paulo.  Essa tendência não reflete integralmente a nossa realidade, pois foram encontrados autores de outros estados publicando no sul do Brasil.  Por outro lado, os núcleos da Abordagem são mais numerosos no eixo Rio-São Paulo, congregando profissionais, que têm melhores oportunidades (via cursos formais e informais) de transformarem suas reflexões em livros.

As temáticas dos livros variam desde grupos, supervisão, psicoterapia, aprendizagem, teoria da personalidade e da motivação até comparações com a teoria Freudiana.  A maioria contempla, pelo menos um capítulo para a psicoterapia individual com adultos e raramente aparece referências ao trabalho com crianças, família ou casal. Esses autores, além de explicitarem os conceitos básicos da Teoria Centrada no Cliente/Pessoa para a psicoterapia, legitimam a sua aplicação nos trabalhos por eles desenvolvidos, demonstrando que a proposta psicoterápica centrada no cliente/pessoa adequa-se à realidade brasileira. Vale ressaltar que poucos autores destacam questões relativas ao contexto sócio – político cultural tão diferente das raízes do pensamento de Rogers. Esse fato é interessante, principalmente ao ser verificado que diversos trabalhos isolados apresentados nos Encontros Latino-Americanos, contemplam essa questão.

Essa relação de livros foi considerada pouco expressiva em face da atuação de diversos profissionais há mais de 20 anos, do crescente número de eventos e de núcleos desde 1987. Por outro lado, o volume de artigos publicados em revistas especializadas tem aumentado desde 1990, o que leva a sugerir que esses autores possam desenvolver mais suas reflexões e agrupá-las em livros, possibilitando maior circulação da informação e divulgação da Abordagem Centrada na Pessoa.

Foi realizada uma pesquisa junto a Livraria Martins Fontes Editora, principal editora responsável pela tradução e distribuição das obras de Rogers no Brasil, a saber: Tornar-se Pessoa (1972), Terapia Centrada no Cliente (1974), Grupos de Encontro (1978), O Tratamento Clínico da Criança Problema (1978), inclusive o livro de Natalie Rogers, A Mulher Emergente (1980). A editora informa que o ápice de venda se deu na década de 70 até meados dos anos 80. Hoje, embora com vendas mais reduzidas, o livro Tornar-se Pessoa ainda é considerado o livro mais vendido das obras de Rogers.

IV. CONCLUSÃO

A partir deste levantamento, envolvendo as atividades, os depoimentos e o material produzido pela comunidade centrada, identificamos quatro momentos distintos  do percurso da Abordagem no Brasil, que designamos segundo sua intensidade como: Pré-História, Fertilidade, Declínio e Ascensão, caracterizados por eventos marcantes e também influenciados pela própria história do Brasil. Nesse sentido, podemos entender melhor, por exemplo, a grande receptividade dos trabalhos de grupo no momento em que a sociedade brasileira sentia-se ameaçada em expressar suas convicções, frustrações e receios durante os anos do regime militar. Assim, a possibilidade de vivenciarmos, ainda que fugaz e provisoriamente, um clima de liberdade num ambiente confiável, aparecia como um “oásis”. Da mesma forma, atualmente, o culto do individualismo, do descartável, parece explicar melhor o pequeno interesse pelo trabalho de grandes grupos.

A questão institucional tem sido debatida e parece apontar para que seja possível  refletir sobre a comunidade centrada, enquanto um grupo de pessoas interessadas em promover o aprimoramento humano. Será que precisamos criar instituições formais para aplicarmos nosso conhecimento e colaborarmos com a sociedade? Sabe-se que o próprio Rogers recusou-se a formas tradicionais de organização institucional, como associações ou sociedades, que pudessem se constituir como estruturas cristalizadas de poder. As autoras partilham da posição de Rogers quando afirma que não gostaria que alguém se constituísse como representante ou “dono” da Abordagem.  Ele queria que o processo institucional da Abordagem pudesse ser descentralizado e criativo, sem “burocracias sufocantes e excludentes”.  Nesse ponto, Rogers foi muito coerente, pois a organização que ele ajudou a criar (Center fo Studies of the Person) e da qual participou ativamente, em momento algum se constituiu como o órgão oficial da Abordagem. Inúmeras vezes, Rogers recusou-se a emprestar seu nome para instituições ou programas de treinamento.  Isso não significa que não seja possível criar-se uma organização eficiente, sem cometer os equívocos que tantas instituições PSI têm apresentado. Atualmente este tema tem sido discutido na Internet, através da rede iberoamericana da ACP, com posições contraditórias. O que ainda não está esclarecido é a necessidade de criarmos uma associação brasileira ou até mesmo internacional. Para que precisamos nos burocratizar?  Este mesmo tema ocupa também espaço virtual na rede internacional da ACP, entretanto, na última Conferência de Terapia Centrada no Cliente/Experiencial, realizada em Portugal (julho/96) um grupo de praticantes da ACP se constituiu com o objetivo de criar uma organização mundial e continuam trabalhando neste sentido, a despeito de severas críticas opondo-se à institucionalização da ACP.

As entrevistas que serviram material para esta pesquisa, revelaram que os “precursores”, ao se identificar com os postulados básicos propostos nos escritos de Carl Rogers, apaixonaram-se por suas idéias.  Interessante notar que a formação desses profissionais pode ser caracterizada como “auto-didata”, pois só tiveram contato pessoal com Rogers (quando tiveram), quando já estavam praticando a Abordagem . Além disso, Rogers visitou o Brasil somente três vezes (1977, 1978 e 1985), o que  permitiu um desenvolvimento autônomo da comunidade brasileira, buscando aplicar os conceitos básicos, a partir da nossa realidade concreta de terceiro mundo. Encontramos uma profissional, Mariana Alvim, talvez a primeira brasileira a ter contato direto com Rogers, em 1945, quando foi fazer um curso sobre a entrevista não diretiva e trouxe o novo método para o Brasil.

Quase todos os entrevistados foram mais influenciados, no início, por experiências pessoais, isto é, a partir da participação em alguma vivência, sentiram-se profundamente “tocados” e identificados com os princípios norteadores da Abordagem, ao participar pela primeira vez em uma vivência. Este “ritual de iniciação” tem se modificado, pois os atuais iniciantes têm tido oportunidade diversas dentro e fora das Academias para entrarem para a comunidade centrada.

Outro ponto convergente dos depoimentos refere-se à identificação de uma certa “lacuna teórica”, evidenciada pelas práticas sem o devido acompanhamento de sua sistematização, bem como a forte acentuação no aspecto vivencial.

A necessidade de maior aprofundamento nos fundamentos filosóficos que ofereça respaldo à atuação profissional é sentida por vários profissionais que praticam a ACP. Observa-se um certo descuido com a teoria a favor da prática e da vivência. Alguns sentem falta de uma estrutura mais sólida, previamente construída, que traga mais segurança no desenvolvimento de seus trabalhos, fator responsável por certa evasão. Neste ponto, temos um grupo de profissionais nordestinos que compartilham desta preocupação, concentrando seus estudos no sentido de promover maior respaldo teórico, na filosofia Fenomenológica-Existencial, retomando os escritos de Heidegger, Kierkegaard, Buber, Nietzsche e outros

Foi observado muito empenho e interesse de todos os entrevistados em expandir os conhecimentos desta orientação, tentando torná-los cada vez mais acessíveis aos estudantes e outros profissionais da área da saúde. Isto se eveidencia pelo aumento de profissionais trabalhando em hospitais, com meninos e meninas de rua, com Plantão Psicológico em diversos níveis (Escolas, Hospitais, Clínicas-Escolas, etc.)

De certa forma, parece haver consenso quanto à opinião de que a Abordagem já “viveu dias melhores”. A maioria sente falta de estímulo, de reciclagem. As pessoas querem produzir, mas nota-se uma certa prostração por parte de alguns e ansiedade, por parte de outros, que se sentem solitários em seus ideais de trabalho.

Interessante perceber que as profissionais entrevistadas que “trocaram” a Abordagem por outra orientação teórica apresentam críticas semelhantes, quanto à fragilidade teórica e a questão do poder, por exemplo. O que para estas significou momento de partida, para os que “permaneceram”, representou um convite a aprofundar e a completar as lacunas.

A pouca penetração acadêmica da Abordagem Centrada na Pessoa, não se configura como característica brasileira, pois sabemos ser assim também em outros países da América Latina, especialmente Argentina, Uruguai e México,  nos EUA e na Europa.

A presença de participantes brasileiros nos Fóruns Internacionais, nos Encontros Latinos e em outros eventos, além da organização do IV Fórum Internacional (1989) e de três Encontros Latino-Americanos (1983, 1986 e 1994) são fatores importantes no desenvolvimento da Abordagem no Brasil.  Os diversos trabalhos e artigos apresentados nesses eventos demonstram o potencial de contribuição dos profissionais brasileiros.

A noção de transindividualidade da pessoa começa a merecer a atenção de nossos colegas para melhor se compreender a relação que se desenvolve  entre “seres intrinsicamente pertinentes a sujeitos coletivos e históricos específicos.” (Fonseca, 1994). Isso traz implicações importantes para a psicoterapia, educação, trabalhos com pequenos e grandes grupos.  Até a própria manifestação das “condições necessárias e suficientes” é influenciada pelos fatores culturais.

Wood (1994) propõe que, ao se considerar a Abordagem Centrada na Pessoa como uma Abordagem e pesquisar os resultados quando ela é aplicada a fenômenos complexos, poder-se-ia formular uma Psicologia mais adequada para melhor compreensão dos fenômenos dos grupos humanos, incluindo a psicoterapia. Uma Psicologia que nos forneça explicações plausíveis sobre as dimensões da mente, os estados alterados de consciência, agressão, oportunismo, comportamentos tribais, efeito placebo, influências físicas e ambientais  e culturais a que estamos expostos, etc., são as propostas de Wood.

O destaque que foi dado aos Encontros Latinos é uma decorrência da intensa participação de brasileiros, sendo esse o espaço que a comunidade centrada tinha até então para se reciclar. Agora, desde 1996, com o aparecimento do Fórum Brasileiro, a comunidade centrada poderá desenvolver suas trocas no contexto cultural brasileiro.

Fonseca (1994) destaca que os Encontros Latinos têm influenciado o desenvolvimento de encontros regionais e a organização de grupos locais.  Também  comenta que somos “um espelho partido.  Precisamos nos encontrar, juntar uns pedaços para que possamos ver a nossa cara.” Na opinião de Fonseca, os Encontros têm-se tornado “um intenso laboratório de aprendizagem individual e coletiva a nível pessoal e profissional, teórico e vivencial, cultural e intercultural. Percebemos a necessidade de ampliarmos nossas redes de relações e comunicações com estes países para um maior intercâmbio dos nossos propósitos e objetivos junto à Abordagem Centrada na Pessoa no contexto Latino”.

A necessidade de se repensar a compreensão teórica no contexto brasileiro e quais as questões básicas que nos têm instigado, pretende ser atendida através do recente projeto de Luiz Alfredo M. Monteiro [1], apresentado no Fórum Brasileiro (1996), denominado Ciranda Abordada . Tal como a dança nordestina Ciranda, a idéia é que todos “entrem na dança”, explicitando suas reflexões, respondendo às sete perguntas sugeridas, podendo acrescentar outras ou mesmo retirar aquelas que não transmitam a essência da “Abordagem Brasileira”. O objetivo é que possamos articular o que fazemos, como entendemos o que fazemos, quais os nossos equívocos, o que precisamos reformular, de forma que possamos avançar nosso conhecimento sobre o ser humano sem perder de vista, o seu/nosso contexto. Além da apresentação no Fórum, a Ciranda Abordada divulgada através da Internet e enviada aos profissionais brasileiros, foi também apresentada no México (VIII Encontro Latino, 1996) e futuramente deverá “alçar vôo” para a África do Sul (VII Fórum Internacional, 1998).

Parece que a onda da Ciranda começa a se espalhar por outras praias num movimento de co-construção do conhecimento. Foi sob inspiração desta proposta que Raquel Wrona Rosenthal/SP, convidou os participantes do Fórum Brasileiro a registrar suas reflexões. Esperamos que esse material possa frutificar no sentido de levantar hipóteses que clarifiquem uma das aplicações da Abordagem, os grandes grupos.

A presença de participantes brasileiros e sua produção teórica (nos Fóruns  Internacionais, nos Encontros Latinos e em outros eventos, além da organização do IV Fórum Internacional e de três Encontros Latino-Americanos) são fatores importantes como demonstrativos de seu potencial de contribuição para o desenvolvimento da ACP. As autoras  entendem que o interesse crescente nesta orientação reflete as necessidades culturais do contexto sócio-político brasileiro. Da mesma forma, a ênfase na experiência interna, no aspecto vivencial parece atender ao “jeito de ser” brasileiro.

BIBLIOGRAFIA

1.FONSECA, Afonso Lisboa da.  De Oaxtapec ao Nordeste da América do Sul: O Encontro Latino Americano da Abordagem Centrada na Pessoa (texto não publicado), 1994.

2.LIETAER, G., ROMBAUTS, J. & VAN BALEN, R.Client-Centered and Experiential Psychotherapy in the Nineties. Leuven: Leuven University Press, 1990.

3.TASSINARI, Márcia A. & DOXSEY, Jaime R.  The Latin American Encounters (1983-1992): Recent Trends in Written Material on the Person-Centered Approach – Part II.  Trabalho apresentado no V Fórum Internacional da ACP, Holanda, 1992.

4.THORNE, Brian. Carl Rogers (Key Figures in Counselling and Psychotherapy): London: Sage Publications, 1992.

5.WOOD, John K. et. al. (Org.). Abordagem Centrada na Pessoa: Vitória: Editora Fundação Ceciliano Abel de Almeida, 1994.

6._______________Abordar a Abordagem (texto não publicado), 1994.

7._______________Contribuição para a Ciranda (texto não publicado), 1996.