Maria Bowen

Álbum de família

MARIA CONSTANÇA VILLAS-BOAS BOWEN (1934/1994)

(Texto de Marcos Alberto da Silva Pinto – AGOSTO  DE 2003)

Nenhum outro brasileiro esteve tão próximo a Carl Rogers e influenciou tanto a Abordagem Centrada na Pessoa, quanto esta baiana de Salvador, nascida em 15 de fevereiro de 1934.

Chamada carinhosamente por seus familiares de “Tancinha”, Maria Constança Villas-Boas Bowen, foi a décima filha de uma família de doze irmãos.

Conheceu e se encantou com a Abordagem Centrada na Pessoa ainda na universidade em Salvador, através de Mariana Alvim, que era sua professora e havia acabado de retornar dos Estados Unidos onde havia realizado curso com Rogers.

Em 1958, imigrou para os Estados Unidos onde terminou o curso de psicologia e realizou  seu mestrado e doutorado em psicologia clínica na Universidade da Califórnia. Neste período, aprofundou-se nos estudos da ACP e em  1967 começou a trabalhar com Carl Rogers, com quem manteve estreita amizade, tornando-se uma de suas principais colaboradoras.

Como membro da equipe de Rogers, viajou por várias países da Europa e América do Sul apresentando e divulgando a ACP, além de facilitar Grupos de Encontro e ministrar inúmeros cursos de treinamento.

Foi membro fundadora do Center for Studie of The Person, em La Jolla (Calif’órnia) em 1968, entidade que ainda hoje é o principal centro da Abordagem Centrada na Pessoa no mundo. Neste mesmo período foi convidada para fazer parte do departamento de Aconselhamento e da Clínica Psicológica da Universidade da Califórnia. Dirigiu ainda, um programa comunitário de saúde mental.

Maria Bowen foi de grande importância para que Carl Rogers aceitasse o convite de Eduardo Bandeira para visitar e divulgar a Abordagem Centrada na Pessoa no Brasil em 1977, colaborando com todo o projeto de sua vinda. Esteve presente nesta visita, fazendo parte da equipe de Rogers, juntamente com John Wood, Maureen Miller e seu marido Jack Bowen. Retornou ao Brasil com Rogers e esta equipe também em 1978 e 1985.

Pouco antes da morte de Rogers, desenvolveu, ao lado de Maurren Miller, alguns documentários entitulados “Coversas com Carl Rogers”, com uma série de entrevistas, onde o psicólogo norte-americano falava de vários temas importantes da ACP.

Escreveu diversos artigos publicados em várias partes do mundo onde mostrou a sua visão e colaboração para o desenvolvimento da ACP. Foi uma das precursoras na inclusão da transpessoalidade na ACP, tendo desenvolvido o seu lado místico a partir de 1982, principalmente com influência do Budismo tibetano, incluíndo este tema em diversos de seus artigos e no livro “Quando Fala o Coração: A Essência da Abordagem Centrada na Pessoa” (Ed.Artes Médicas), escrito em co-autoria com Antônio Monteiro dos Santos e Carl Rogers , tratando de temas até então inexistentes na ACP como a espiritualidade e a intuição. Este livro foi lançado em 1987, pouco tempo depois do falecimento de Rogers que contribuiu com alguns artigos incluídos em forma de capítulos.

Em setembro de 1991, colaborou com a introdução de um grande programa de treinamento da Abordagem Centrada na Pessoa na hoje extinta União Soviética. Pouco antes de sua morte realizou alguns trabalhos no Japão e na França.

Maria Bowen teve um filho com Jack Bowen. Morou em Del Mar por 25 anos onde trabalhava como psicoterapeuta em consultório particular, atendendo a adolescentes e  adultos, além de dar supervisão e treinamento em Psicoterapia Centrada na Pessoa e Grupos de Encontro.

Faleceu nesta mesma cidade em 18 de maio de 1994 aos 60 anos, deixando uma inestimável contribuição a comunidade da ACP de todo o mundo.

Referências:

  • Gobbi, Sérgio L. e Missel, Sinara T. (2002). Vocabulário e Noções Básicas da Abordagem Centrada na Pessoa. São Paulo: Vetor.
  • The San Diego Union-Tribune (1994). Obituaries. 20 de Maio de 1994 pp. B-4.
  • Rogers, Carl R., Santos, Antonio M. e Bowen, M.C.V.B. (1987). Quando Fala o Coração: A essência da Abordagem Centrada na Pessoa. Porto Alegre: Artes Médicas.